Página Inicial Data de criação : 07/09/27 Última actualização : 09/12/19 23:13 / 248 Artigos publicados
 

A HORA DO CONTO

Pinóquio  (A HORA DO CONTO) Inserido Tuesday 03 February 2009 23:33

Numa aldeia italiana vivia Gepeto, o melhor relojoeiro do mundo.

Um dia construiu um boneco quase perfeito...!

-Serás o filho que não tive, e vou chamar-te Pinóquio.

Nessa noite a Fada Madrinha visitou a oficina de Gepeto.

Tocando Pinóquio com a varinha mágica disse:

- Vou-te dar vida, boneco. Mas deves ser sempre bom e verdadeiro!

No dia seguinte Gepeto apercebeu-se que os seus desejos se tinham tornado realidade.

Mandou então Pinóquio à escola, acompanhado pelo grilo cantante Pepe.

No caminho encontraram a D. Raposa e a D. Gata.

- Porque vais para a Escola havendo por aí tantos lugares bem mais alegres? - perguntou a raposa.

- Não lhe dês ouvidos! - avisou-o Pepe.

Mas Pinóquio, para quem tudo era novidade, seguiu mesmo as tratantes e acabou à frente de Strombóli, o dono de um teatrinho de marionetas.

- Comigo serás o artista mais famoso do mundo! - segredou-lhe o astucioso Strombóli.

O espectáculo começou. Pinóquio foi a estrela, principalmente pelas suas faltas, que causaram muita risota. Os outros bonecos eram hábeis, enquanto o novo só fazia asneiras... Por isso triunfou!

No final do espectáculo Pinóquio quis ir-se embora, mas Strombóli tinha outros planos.

Quando se recompôs do susto, a borboleta perguntou-lhe aonde vivia.

- Não tenho casa. - respondeu o boneco.

A borboleta voltou a fazer-lhe a mesma pergunta, e ele a dar a mesma resposta.

Mas, de cada vez que mentia, o nariz crescia-lhe mais um pouco, pelo que não conseguiu enganar a Borboleta Mágica.

- Não quero este nariz! - soluçou Pinóquio.

- Terás que te portar bem e não mentir! Voltas para casa e para a Escola. - disse-lhe a Borboleta Mágica.

Depois de regressar a casa, aonde foi recebido com muita alegria por Gepeto, passou a portar-se bem.

Tempos depois, de novo quando ia para a Escola, voltou a encontrar a Raposa, que o desafiou para a acompanhar à Ilha dos Jogos. Assim que entrou começaram a crescer-lhe as orelhas e a transformar-se em burro.

Aflito, valeu-lhe o grilo Pepe, que lhe disse:

- Anda, Pinóquio.  Conheço uma porta secreta...! Não te queres transformar em burro, pois não? Levar-te-iam para um curral!

- Sim, vou contigo, meu amigo.

Ao chegarem a casa encontraram-na vazia.

Por uns marinheiros souberam que Gepeto se tinha feito ao mar num bote.  

Como o grilo Pepe era muito esperto, ensinou Pinóquio a construir uma jangada.
Dois dias mais tarde, quando navegavam já longe de terra, avistaram uma baleia.

- Essa baleia vem direita a nós! gritou Pepe. - Saltemos para a água! Mas não puderam salvar-se ... a baleia engoliu-os.

Em breve descobriram que no interior da barriga estava Gepeto, que tinha naufragado no decurso de uma tempestade.

Depois de se terem abraçado, resolveram acender uma fogueira. A baleia espirrou e lançou-os fora.

- Perdoa-me papá. - suplicou Pinóquio muito arrependido.

E a partir dali mostrou-se tão dedicado e bondoso que a Fada Madrinha, no dia do seu primeiro aniversário, o transformou num menino de carne e osso, num menino de verdade.

- Agora tenho um filho verdadeiro! - exclamou contentíssimo Gepeto.

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A Lebre e a Tartaruga  (A HORA DO CONTO) Inserido Tuesday 03 February 2009 23:13

Um dia, conversando na mata com alguns animais, a lebre começou a falar sobre suas qualidades. O grupo era formado por uma coruja muito sábia, uma raposa muito esperta, um macaco divertido e um marreco nadador.Convencida como ela só, a lebre desatou a falar sobre como era ágil, rápida e veloz. Ela foi falando, falando e percebeu que muitos outros bichos foram se juntando à sua volta. Até fez pose e estufou o peito para impressionar mais a bicharada.

A lebre estava gostando disso: tantos animais reunidos e só ela falando no meio de tantos ouvintes.

Todos prestavam muita atenção ao que ela dizia e aqui e ali faziam algum comentário concordando com o seu discurso.

– Amigos – dizia a lebre –, nos dias de hoje é muito importante que os animais sejam cada vez mais ágeis. Vejam só o meu exemplo: eu posso fazer muitas coisas num só dia porque vou de um lado ao outro da mata num instante. E volto com a mesma rapidez com que fui.

– Nem sempre a velocidade é tão importante assim – ouviu-se de uma vozinha no meio dos animais. A lebre até engasgou quando ouviu esse comentário e perguntou:

- Quem disse isso?

– Fui eu.

Todos olharam para trás e viram uma jovem tartaruga se aproximando, passo após passo, com toda aquela calma e lentidão das tartarugas.

A lebre aproveitou-se da lerdeza da tartaruga para fazer um comentário:

– Bem, um animal lento como você não deve achar a velocidade muito importante mesmo...

– Você é muito espirituosa – respondeu a tartaruga, sem se importar com o comentário maldoso –, mas o que eu estou querendo dizer é que nem sempre a agilidade basta para realizar uma tarefa. Muitas vezes, a perseverança é mais importante para atingirmos nosso objetivo.

– Nem sempre – respondeu a lebre imediatamente.

E continuou:

– Numa corrida, por exemplo, o que mais importa é a velocidae e a agilidade.

– Talvez – disse a tartaruga.

– Como, talvez?! – retrucou a lebre. – Será que você pensa que, se nós duas apostássemos uma corrida, você teria alguma chance de ganhar de mim com sua lerdeza e sua perseverança?

– Nunca se sabe, mas eu acho bem possível... – respondeu a tartaruga, cheia de confiança.

Marcaram, então, uma corrida para o dia seguinte, logo pela manhã. A corrida seria ao redor da mata, começando e terminando ao lado de um grande carvalho.

A essa altura, todos os animais da mata estavam alvoroçados, torcendo pela tartaruga ou pela lebre.

No dia seguinte, no local e horário combinados, toda a bicharada se reuniu.

A raposa logo começou a separar os bichos de acordo com a escolha que cada um fazia.

– Vamos nos dividir em grupos – ela dizia. – Os que torcem para a lebre vão ficar deste lado, e do outro lado ficarão os que acreditam na tartaruga.

A lebre ria e desdenhava da tartaruga:

– Coitadinha, não vai dar nem pra saída. Onde já se viu, uma tartaruga pensar que pode ganhar de uma lebre numa corrida! Vai ser fácil demais.

A tartaruga veio no seu passinho tranqüilo, e, quando chegou, encontrou a lebre rodeada por seus torcedores. Do outro lado da pista estavam os bichos que acreditavam na vitória da tartaruga.

As duas torcidas estavam muito animadas e carregavam faixas e bandeirolas para incentivar as competidoras.

A mata tinha se transformado num festival de cores e agitação.

A coruja, escolhida para ser a juíza, esperava pelas corredoras na linha de largada, e assim que as duas se alinharam ela falou:

– Vou contar até três. Quando eu disser "já", vocês podem sair correndo, e que vença a melhor! Atenção! Um... Dois... Três... Já!

A lebre saiu numa velocidade espantosa, deixando uma nuvem de poeira atrás de si.

A tartaruga, por sua vez, saiu no seu passinho de sempre: um pé, depois o outro, mais um passo, outro mais. Um detalhe, porém, chamou a atenção dos animais: ela estava muito concentrada na corrida e não se distraía com nada.

Alguns minutos depois, a lebre olhou para trás e viu a tartaruga vindo muito longe. Ela riu, parou e resolveu descansar um pouco.

Quando a tartaruga começou a chegar perto, ela falou:

– Já está aqui? Eu esperei um pouquinho para você não ficar muito para trás. Vamos lá!

A tartaruga nem respondeu e continuou andando decidida, embora estivesse comento a poeira que a lebre deixou quando começou a correr outra vez.

Assim a corrida foi seguindo, até que a lebre percebeu que estava de novo muito à frente de sua adversária.

"Isto vai ser uma moleza", ela pensou. "Aproveitando que tenho uma grande vantagem, vou parar um pouquinho para comer alguma coisa. Nesta parte da mata sempre tem umas folhinhas tão fresquinhas, e esse negócio de corrida me abriu um baita apetite."

A lebre parou e não comeu pouco. As folhas que ela encontrou estavam mesmo bem frescas, tenras e saborosas.

Quando terminou de comer, sentiu um pouco de sono, e, como não havia nenhum sinal da tartaruga, não teve dúvidas: deitou na grama fresca e tirou uma soneca.

A lebre sonhou com seus amigos, as brincadeiras de que gostava, com o desafio à tartaruga, com a corrida...

A corrida! A lebre acordou assustada, pois teve a impressão de que tinha dormido demais. Voltou para a pista e até ficou contente, pois olhou para trás e não viu nem sinal da tartaruga.

Saiu a toda velocidade para recuperar o tempo perdido. Qual não foi sua surpresa, porém, quando avistou a tartaruga cruzando a linha de chegada e sendo festejada por todos os animais.

A lebre ainda teve tempo de ouvir a coruja proclamar a tartaruga como a grande vencedora da corrida na mata.

Esta história termina aqui e nos ensina que devemos sempre acreditar nas nossas qualidades. Ou seja, devagar também se vai ao longe.

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João e o Pé de Feijão  (A HORA DO CONTO) Inserido Tuesday 03 February 2009 22:48

Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe, uma pobre viúva, numa cabana bem longe da cidade.Um dia, a mãe de João disse:
– Joãozinho, acabou a comida e o dinheiro. Vá até a cidade e venda nossa vaquinha, o único bem que nos resta.

João foi para a cidade e, no caminho, encontrou um homem que o convenceu a trocar a vaquinha por sementes de feijão. O homem disse:

– Com estas sementes de feijão jamais passarão fome.

– João acreditou e trouxe as sementes para casa. Quando a mãe de João viu as sementes, ficou furiosa. Jogou tudo pela janela.

Na manhã seguinte, João levantou com muita fome e foi até o quintal. Ficou espantado quando viu uma enorme árvore que ia até o céu. Nem chamou sua mãe. Decidiu subir pelo pé de feijão até chegar à copa.

João ficou maravilhado ao encontrar um castelo nas nuvens e quis vê-lo de perto. De repente, uma mulher enorme surgiu de dentro do castelo e o agarrou:

– O que faz aqui, menino? Será o meu escravo. Mas o Gigante não pode saber, por isso, vou escondê-lo. Se ele vir você, com certeza vai comê-lo.

O Gigante chegou fazendo muito barulho. A mulher havia escondido João num armário. O Gigante rugiu:

– Sinto cheiro de criança! E farejou em todos os cantos à procura de uma criança que estivesse escondida ali.

A mulher adiantou-se e respondeu para o Gigante:

– Este cheiro é da comida que irei servi-lo. Sente-se à mesa, meu senhor.

O Gigante comeu o saboroso alimento. Depois, ordenou a uma galinha prisioneira que pusesse um ovo de ouro, e a uma harpa que tocasse uma bela melodia. Então, o Gigante adormeceu em poucos minutos.

Vendo que a mulher havia se esquecido dele, João saiu do armário e, rapidamente, libertou a galinha e também a harpa. Mas a galinha cacarejou e a harpa fez um som estridente. Por isso, o Gigante despertou.

Com a galinha debaixo do braço e a harpa na outra mão, João correu e o gigante foi atrás dele.

João chegou primeiro ao tronco do pé de feijão e deslizou pelos ramos. Quando estava quase chegando ao chão, gritou para sua mãe, que o esperava:

– Mamãe, vá buscar um machado, tem um gigante atrás de mim!

Com o machado, João cortou o tronco, que caiu com um estrondo. Foi o fim do Gigante. E todas as manhãs, a galinha põe ovos de ouro e a harpa toca para João e sua mãe, que viveram felizes para sempre e nunca mais sentiram fome.

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O Alfaiate Valente  (A HORA DO CONTO) Inserido Tuesday 03 February 2009 22:16

Era uma vez, num país muito distante, um modesto alfaiate que vivia costurando alegremente na frente da janela da sua casinha, quando, num dia como outro qualquer, ouviu, do lado de fora, um homem anunciando geléia para vender. – Geléia de morango! Deliciosa geléia! – anunciava o vendedor.

O alfaiate ficou com água na boca e depressinha comprou um pote de geléia vermelhinha e cheirosa. Passou uma boa camada de geléia numa fatia de pão, que deixou na mesa para comer depois de terminar o trabalho.

E continuou a costurar, cantarolando.

Mas a geléia deu água na boca também de umas moscas, que voaram zumbindo para cima dela.

O alfaiate não gostou nada de ver as moscas avançando na sua geléia.

– Mas que atrevimento! – exclamou ele. – Vocês já vão ver o que é gostoso!

E, com a própria costura que tinha na mão, ele deu tamanho golpe na mesa, que esparramou a geléia, mas em compensação achatou sete moscas duma vez!

O alfaiate ficou tão orgulhoso da sua proeza, que bordou no seu cinto estas palavras: "Sete de um golpe só!" E resolveu sair pelo mundo, para mostrar a toda a gente como ele era valente. Pôs um pedaço de queijo na sacola e pegou a estrada. No caminho, encontrou um passarinho caído no chão, e, com pena dele, colocou-o na sacola, junto com o queijo. E continuou andando, muito alegre.

Foi andando ladeira acima, ladeira abaixo, e no alto de um morro deu de repente com um homem enorme. Mas não se intimidou, e falou com o gigante:

– Estou andando pelo mundo para mostrar como sou valente! Leia só isto!
E mostrou o seu cinto ao homenzarrão.

– "Sete de um golpe só!" – leu o homem, e ficou muito impressionado, pensando que o pequeno alfaiate matara sete homens de um golpe só. Mas, só para tirar a dúvida que tinha, ele pegou uma pedra e esmagou-a nas mãos, com a maior facilidade.

– Isto para mim é canja! – disse o alfaiate. E, tirando o seu queijo da sacola, esmagou-o nas mãos, sem o menor esforço.

 O gigante, que era míope ou burro, ou ambas as coisas, tornou a ficar impressionado. Mas queria certificar-se mais ainda. Então, ele apanhou outra pedra e atirou-a ao ar até uma nuvem que passava. Mas o nosso alfaiate mais uma vez não se deu por achado: tirou da sacola o passarinho que encontrara na estrada, e jogou-o para o alto. O pássaro, feliz por se ver livre, voou para cima, até sumir de vista. Desta vez, o gigante ficou tão espantado, que achou melhor tratar bem aquele baixinho tão perigoso, e convidou-o a passar a noite na sua casa, convite que este aceitou, pois já estava anoitecendo

 Mas na calada da noite, quando o alfaiate dormia na enorme cama do gigante, este, com inveja e receio do seu pequeno hóspede, resolveu matá-lo, quebrando pelo meio a cama onde seu hóspede dormia, encolhido num canto debaixo das cobertas. E foi por estar tão encolhidinho que o alfaiate escapou da morte, sem que o malvado percebesse nada.

E quando de manhã o pequeno alfaiate se plantou na frente do gigante, ameaçando-o de mãos na cintura, o grandão ficou tão apavorado que saiu correndo, aos berros, de pavor!

 Os seus gritos foram ouvidos pelos soldados da guarda real, que ficaram espantados ao ver o terrível gigante fugir gritando do nosso valente alfaiate. E, quando os soldados lhe perguntaram quem ele era, foi só mostrar-lhe o seu cinto com "sete de um golpe só" bordado, para eles acharem melhor conduzir o herói ao palácio, para apresentá-lo ao rei.

O rei, a rainha e a princesa ficaram cheios de admiração pelo pequeno valentão, que, todo gentil e mesuroso, ofereceu seus serviços a Sua Majestade. O rei gostou da idéia e aceitou o oferecimento, e a princesa até sorriu para o pequeno alfaiate.

Assim, o baixinho ficou morando numa bonita casinha perto do Palácio, onde era convidado permanente. Até que um dia o rei chamou e disse:

– Tenho um encargo para lhe dar, já que você é tão forte e valente. Existem neste reino dois gigantes malvados que perturbam e assustam todo o meu povo. Se você conseguir livrar-nos deles, eu lhe darei como paga metade do reino e, como prêmio, a mão da princesa em casamento.

Entusiasmado, o alfaiate aceitou a tarefa e se mandou direto para a floresta, onde não demorou a encontrar os dois terríveis homenzarrões, dormindo a sesta no campo, de costas um para o outro. Então, enchendo os bolsos de pedras pontudas, o alfaiate subiu na árvore onde os dois estavam encostados.

Fazendo boa pontaria, o alfaiate atirou com força duas pedras na cabeça de um dos gigantes.

– Pára com isto! – berrou um gigante, e deu um soco na cara do outro.

– Eu não fiz nada! – reclamou o outro –, você está sonhando!

E os dois adormeceram de novo, roncando alto. O alfaiate esperou um pouco e logo atirou duas pedras na cabeça do segundo gigante, que acordou furioso e partiu para cima do primeiro.

E os dois se engalfinharam numa luta mortal.

Eles até arrancaram árvores para bater um no outro! E a briga foi tão violenta, que acabaram os dois caindo mortos!

– Missão cumprida! – disse o alfaiate, e voltou ao palácio, para relatar ao rei o seu novo feito heróico

Mas, na hora de dar o prêmio ao alfaiate, o rei não quis cumprir sua promessa, e saiu com outro encargo:

– Você foi valente – disse o rei –, mas preciso de um serviço seu: quero que você me traga o chifre mágico do unicórnio selvagem, que vive solto na floresta. Antes disso, nada feito.

A princesa ficou desapontada, mas o alfaiate não desanimou.

– Isto será fácil para mim. Matei sete de um golpe só e liquidei dois gigantes malvados. Vou trazer-lhe o tal chifre, Majestade.

E partiu de volta para a floresta

Ele nem andou muito, quando, no meio de um descampado, viu investir contra ele, a galope, o enorme unicórnio, feroz cavalo branco de chifre na testa! Ágil como um gato, o alfaiate pulou para trás de uma árvore, e o unicórnio, na sua fúria cega, sem poder deter a corrida, espetou o seu chifre no tronco da árvore, e lá ficou preso, sem poder levantar a cabeça!

Sem perder tempo, o esperto alfaiate tirou da sacola o machado que levara consigo e, com uma machadada certeira, cortou o chifre do bicho, que, vendo-se livre, fugiu a galope.

– Muito bem – disse o alfaiate, satisfeito. – Esta missão também está cumprida! Quero só ver se Sua Majestade me dá a recompensa agora!

Mas o rei, que achava que o alfaiate não era nobre o bastante para ser seu genro, inventou outra saída. Disse ao alfaiate para ele ficar no palácio, aguardando os preparativos para o casamento com a princesa, coisa que o alfaiate achou certa. Mas, nesse meio tempo, o rei chamou os seus soldados e lhes deu uma ordem:

– Esta noite, quando o alfaiate estiver dormindo, invadam o seu quarto e amarrem-no bem amarrado, que eu vou cuidar de livrar-me dele duma vez!

Mal sabia ele que a princesa estava escondida na escada, escutando tudo. Ela gostava do pequeno alfaiate e queria casar-se com ele. Por isso, resolveu avisá-lo do perigo que ele corria.

– Você tem de fugir daqui, meu amor! – disse ela. – Fuja sem perda de tempo!

– Não vou fugir! Não quero deixá-la, minha prometida! Eu quero casar com você!

– Eu também quero casar com você! – disse a princesa –, mas teremos de esperar por uma hora menos perigosa! Agora, fuja!

– Não vou fugir! – disse o pequeno alfaiate, que no fundo era corajoso mesmo.

– Não se preocupe, eu sei o que fazer! Tenho o meu plano.

E o nosso alfaiate foi para o seu quarto e fingiu que estava dormindo. Mas na verdade ele se escondeu atrás da porta e ficou esperando pelos soldados que viriam prendê-lo. E, quando os ouviu chegando, deixou que se aproximassem bem, e, abrindo a porta de repente, gritou com a sua voz mais forte:

– Eu já matei sete de um golpe só, dei cabo de dois horrendos gigantes e cortei o chifre de um unicórnio selvagem! Não preciso ter medo de sete simples soldadinhos que estão aí fora!

Quando os soldados ouviram isto, tremeram de susto e saíram correndo, apavorados.

E dessa vez o rei não teve desculpa para não cumprir o prometido. Ainda mais porque a princesa teimou que queria casar com o valente alfaiate! E insistiu também que queria aquela metade do reino, como dote!

Assim, o pequeno alfaiate casou-se com a princesa e virou príncipe-consorte. Prêmio merecido para o herói que "matou sete de um golpe só!"

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O Gato das Botas  (A HORA DO CONTO) Inserido Tuesday 03 February 2009 21:53

Um moleiro, que tinha três filhos. Repartindo à hora da morte seus únicos bens, deu ao primogênito o moinho, deu ao segundo, o seu burro, e ao mais moço apenas um gato.

Este último, ficou muito descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato disse-lhe:

— Meu querido amo, compra-me um par de botas e um saco e, em breve,  provarte-ei que sou de mais utilidade que um moinho ou um asno.

Assim, o rapaz converteu todo o dinheiro que possuía num lindo par de botas e num saco para o seu gatinho.

Este calçou as botas e, pondo o saco às costas, encaminhou-se para um sítio onde havia uma coelheira. Quando ali chegou, abriu o saco, meteu-lhe uma porção de farelo miúdo e deitou-se no chão fingindo-se morto.

Excitado pelo cheiro do farelo, o coelho saiu de seu esconderijo e dirigiu-se para o saco.

O gato apanhou-o logo e levou-o ao rei, dizendo-lhe:

— Senhor, o nobre marquês de Carabás mandou que lhe entregasse este coelho. Guisado com cebolinhas será um prato delicioso.

— Coelho?! — exclamou o rei. — Que bom! Gosto muito de coelho, mas o meu cozinheiro não consegue nunca apanhar nenhum.

Diz ao teu amo que eu lhe mando os meus mais sinceros agradecimentos.

No dia seguinte, o gatinho apanhou duas perdizes e levou-as ao rei como presente do marquês de Carabás.

O rei ficou tão contente que mandou logo preparar a sua carruagem e, acompanhado pela princesa, sua filha, dirigiu-se para a casa do nobre súdito que lhe tinha enviado tão preciosas lembranças.

O gato foi logo ter com o amo:

— Vem já comigo, que  vou-te indicar um lugar, no rio, onde poderás tomar um bom banho.

O gato conduziu-o a um ponto por onde devia passar a carruagem real, disse-lhe que se despisse, que escondesse a roupa debaixo de uma pedra e se lançasse à água.

Acabava o moço de desaparecer no rio, quando chegaram o rei e a princesa.

— Socorro! Socorro! — gritou o bichano.
— Que aconteceu? — perguntou o rei.
— Os ladrões roubaram a roupa do nobre marquês de Carabás! — disse o gato.  Meu amo está dentro da água e sentirá câimbras.

O rei mandou imediatamente uns servos ao palácio.

Voltaram daí a pouco com um magnífico vestuário feito para o próprio rei, quando jovem.

O dono do gato vestiu-o e ficou tão bonito que a princesa, assim que o viu, dele se enamorou. O rei também ficou encantado e murmurou:

— Eu era exactamente assim, nos meus tempos de moço.

O gato estava radiante com o êxito do seu plano, e correndo à frente da carruagem, chegou a uns campos e disse aos lavradores:

— O rei está chegando; se não lhes disserem que todos estes campos pertencem ao marquês de Carabás, faço-os triturar como carne para almôndegas.

De forma que, quando o rei perguntou de quem eram aquelas searas, os lavradores responderam-lhe:

— Do muito nobre marquês de Carabás.

— Com a breca! — disse o rei ao filho mais novo do moleiro. — Que lindas propriedades tens tu!

O moço sorriu perturbado, e o rei murmurou ao ouvido da filha:

— Eu também era assim, nos meus tempos de moço.

Mais adiante, o gato encontrou uns camponeses ceifando trigo e fez-lhes a mesma ameaça:

— Se não disserem que todo este trigo pertence ao marquês de Carabás, faço picadinho de vocês.

Assim, quando chegou a carruagem real e o rei perguntou de quem era todo aquele trigo, responderam:

— Do mui nobre marquês de Carabás.

O rei ficou muito entusiasmado e disse ao moço:

— Ó marquês! Tens muitas propriedades!

O gato continuava a correr à frente da carruagem; atravessando um espesso bosque, chegou à porta de um magnífico palácio, no qual vivia um ogro que era o verdadeiro dono dos campos semeados.

O gatinho bateu à porta e disse ao ogro que a abriu:

— Meu querido ogro, tenho ouvido por aí umas histórias a teu respeito. Dize-me lá: é certo que te podes transformar no que quiseres?

Certíssimo — respondeu o ogro, e transformou-se num leão.

— Isso não vale nada — disse o gatinho. - Qualquer um pode inchar e aparecer maior do que realmente é. Toda a arte está em se tornar menor. Poderias, por exemplo, transformar-te em rato?

— É fácil — respondeu o ogro, e transformou-se num rato.

O gatinho deitou-lhe logo as unhas, comeu-o e desceu logo a abrir a porta, pois naquele momento chegava a carruagem real. E disse:

— Bem vindo seja, senhor, ao palácio do marquês de Carabás.

— Olá! — disse o rei — que formoso palácio tens tu! Peço-te a fineza de ajudar a princesa a descer da carruagem.

O rapaz, timidamente, ofereceu o braço à princesa, e o rei murmurou-lhe ao ouvido:

— Eu também era assim tímido, nos meus tempos de moço.

Entretanto, o gatinho meteu-se na cozinha e mandou preparar um esplêndido almoço, pondo na mesa os melhores vinhos que havia na adega, e quando o rei, a princesa e o amo entraram na sala de jantar e se sentaram à mesa, tudo estava pronto.

Depois do magnífico almoço, o rei voltou-se para o rapaz e disse-lhe:

— Jovem, és tão tímido como eu era nos meus tempos de moço. Mas percebo que gostas muito da princesa, assim como ela gosta de ti. Por que não a pedes em casamento?

Então, o moço pediu a mão da princesa, e o casamento foi celebrado com a maior pompa. O gato assistiu, calçando um novo par de botas com cordões encarnados e bordados a ouro e preciosos diamantes.

E daí em diante, passaram a viver muito felizes.

E se o gato às vezes ainda se metia a correr atrás dos ratos, era apenas por divertimento; porque absolutamente não  precisava mais de ratos para matar a fome...

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