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Quando
a Larissa Purvinni, editora da Pais e Filhos, me sugeriu um artigo
sobre a culpa que sentimos quando vamos trabalhar e ficamos longe
dos filhos, comecei a pesquisar profundamente sobre o assunto, na
esperança de aliviar o meu próprio sentimento e
de concluir, cientificamente, que não existe razão
para nos sentirmos assim. Comprei vários livros, pesquisei
na Internet, falei com amigas, li todas as revistas sobre
crianças...
Mas, depois de ter tido essa
imersão literária, cheguei à conclusão
de que o sentimento de culpa é inevitável. Pensando
bem, com razão. Vamos sempre nos sentir assim, simplesmente
porque somos mães e o instinto materno nos diz que temos de
ficar perto dos filhos.
Sentimos culpa quando estamos ao lado de
uma mãe que não trabalha ou quando ficamos presas no
escritório até mais tarde. E, quer saber?, que bom
que sentimos! Imagina se o fato de estarmos longe das pessoas que
mais amamos no mundo não fizesse a menor diferença?
Por outro lado, sentir culpa, por mais natural que seja, não
significa que somos culpadas. Veja a diferença: não
somos culpadas de fazer nada errado, até porque a maioria de
nós, que trabalhamos fora, não tem a
opção de ficar em casa.
Precisamos trabalhar: é
fato.
Depois que passei a aceitar o meu
sentimento de culpa, aprendi a conviver com ele de maneira natural
e produtiva. Isso mesmo, produtiva. Eu explico. Passei a adotar uma
dica dada por Carol Evans, editora e CEO da revista Working Mother
e autora do livro "This is How We do It – The Working
Mothers’ Manifesto". Carol conta que, ao fazer um
diário anotando momentos preciosos ao longo do crescimento
de seus filhos, ela sentia que administrava melhor seus
sentimentos. Anos depois, ao ler essas memórias anotadas,
percebeu que fez seu papel de mãe tão bem quando o de
EO. A gente não percebe, mas ser mãe acontece
naturalmente. Não deixamos de ser mães porque estamos
trabalhando, estudando ou dormindo.
Fazer um diário sobre o crescimento
da minha filha me faz muito bem e me lembra constantemente que,
acima de tudo, sou mãe. Eis aqui alguns momentos preciosos
registrados no meu diário sobre a Olivia:
Maio de 2007, 1 ano e 11 meses: Ao deixar
a Olivia na escolinha, de manhã, ela diz para ela mesma:
“A mamãe vai trabalhar, você vai na escolinha e
depois a vovó vem te buscar... não pode morder o
Jack!”.
Junho de 2007, 2 anos: Minha mãe
fala no Skype com minha avó. Quando a Olivia vê a
imagem dela no computador diz, com os bracinhos levantados para a
tela: “Colo, Bisa, colo”.
Julho de 2007, 2 anos: A Olivia vai operar
as amídalas amanhã, e expliquei pra ela o que iria
acontecer nos próximos dias. Ela escutou atentamente, mas
não disse nada. À noite, quando estávamos
fazendo oração, ela disse: “Papai do
céu, abençoa a garganta da Viva” (Viva é
o apelido que ela mesma se deu).
NO FUNDO, NÓS MESMAS SOMOS NOSSAS PIORES
CRÍTICAS E, MESMO NÃO PRECISANDO PROVAR NADA PRA
NINGUÉM, TEMOS DE, CONSTANTEMENTE, PROVAR PRA NÓS
MESMAS QUE ESTAMOS FAZENDO O
MELHOR.
Culpa, que palavra forte, que sentimento
intenso. Acredite, você não precisa carregar isso com
você. Carregue apenas as boas lembranças e o
diário com as histórias e os momentos que valem a
pena ser lembrados. E, já que esse sentimento não
pode ser eliminado, faça como eu: aceite e, depois, arquive
em algum lugar bem escondido, junto com todos os livros e as
revistas que comprei pra escrever esse artigo.
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