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Mamãe foi trabalhar - Culpada ou inocente?  Inserido Monday 03 December 2007 13:07

Blogue de mafuca : Agora comecei realmente a viver!, Mamãe foi trabalhar - Culpada ou inocente?

in Pais&Filhos, versão brasileira

 

NÃO DEIXAMOS DE SER MÃES PORQUE PRECISAMOS OU QUEREMOS TRABALHAR

 

por JULIANA DELLEVA CADIZ, mãe de Olivia

 

Quando a Larissa Purvinni, editora da Pais e Filhos, me sugeriu um artigo sobre a culpa que sentimos quando vamos trabalhar e ficamos longe dos filhos, comecei a pesquisar profundamente sobre o assunto, na esperança de aliviar o meu próprio  sentimento e de concluir, cientificamente, que não existe razão para nos sentirmos assim. Comprei vários livros, pesquisei na Internet, falei com amigas, li todas as revistas sobre crianças...

Mas, depois de ter tido essa imersão literária, cheguei à conclusão de que o sentimento de culpa é inevitável. Pensando bem, com razão. Vamos sempre nos sentir assim, simplesmente porque somos mães e o instinto materno nos diz que temos de ficar perto dos filhos. 

Sentimos culpa quando estamos ao lado de uma mãe que não trabalha ou quando ficamos presas no escritório até mais tarde. E, quer saber?, que bom que sentimos! Imagina se o fato de estarmos longe das pessoas que mais amamos no mundo não fizesse a menor diferença? Por outro lado, sentir culpa, por mais natural que seja, não significa que somos culpadas. Veja a diferença: não somos culpadas de fazer nada errado, até porque a maioria de nós, que trabalhamos fora, não tem a opção de ficar em casa.

Precisamos trabalhar: é fato.

Depois que passei a aceitar o meu sentimento de culpa, aprendi a conviver com ele de maneira natural e produtiva. Isso mesmo, produtiva. Eu explico. Passei a adotar uma dica dada por Carol Evans, editora e CEO da revista Working Mother e autora do livro "This is How We do It – The Working Mothers’ Manifesto". Carol conta que, ao fazer um diário anotando momentos preciosos ao longo do crescimento de seus filhos, ela sentia que administrava melhor seus sentimentos. Anos depois, ao ler essas memórias anotadas, percebeu que fez seu papel de mãe tão bem quando o de EO. A gente não percebe, mas ser mãe acontece naturalmente. Não deixamos de ser mães porque estamos trabalhando, estudando ou dormindo.

Fazer um diário sobre o crescimento da minha filha me faz muito bem e me lembra constantemente que, acima de tudo, sou mãe. Eis aqui alguns momentos preciosos registrados no meu diário sobre a Olivia:

Maio de 2007, 1 ano e 11 meses: Ao deixar a Olivia na escolinha, de manhã, ela diz para ela mesma: “A mamãe vai trabalhar, você vai na escolinha e depois a vovó vem te buscar... não pode morder o Jack!”.

Junho de 2007, 2 anos: Minha mãe fala no Skype com minha avó. Quando a Olivia vê a imagem dela no computador diz, com os bracinhos levantados para a tela: “Colo, Bisa, colo”.

Julho de 2007, 2 anos: A Olivia vai operar as amídalas amanhã, e expliquei pra ela o que iria acontecer nos próximos dias. Ela escutou atentamente, mas não disse nada. À noite, quando estávamos fazendo oração, ela disse: “Papai do céu, abençoa a garganta da Viva” (Viva é o apelido que ela mesma se deu).

NO FUNDO, NÓS MESMAS SOMOS NOSSAS PIORES CRÍTICAS E, MESMO NÃO PRECISANDO PROVAR NADA PRA NINGUÉM, TEMOS DE, CONSTANTEMENTE, PROVAR PRA NÓS MESMAS QUE ESTAMOS FAZENDO O MELHOR.

Culpa, que palavra forte, que sentimento intenso. Acredite, você não precisa carregar isso com você. Carregue apenas as boas lembranças e o diário com as histórias e os momentos que valem a pena ser lembrados. E, já que esse sentimento não pode ser eliminado, faça como eu: aceite e, depois, arquive em algum lugar bem escondido, junto com todos os livros e as revistas que comprei pra escrever esse artigo.

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